Princípios Norteadores

  1. PRINCÍPIOS NORTEADORES

Do ponto de vista legal, a Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de zero a cinco anos de idade em seus aspectos físico, afetivo, intelectual, linguístico e social, complementando a ação da família e da comunidade (Lei nº 9.394/96, art. 29).

O Curso de Capacitação para profissionais de Apoio na Educação Infantil do Colégio Kennedy assim como prevê a Resolução CNE/CEB nº 5, de 17 de dezembro de 2009, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, e o Art 14 da Resolução CME/POA n° 15/2014, acredita que:

 

“Art. 14 A Proposta Político-pedagógica da Educação Infantil deve orientar as ações pedagógicas, definir concepções para o desenvolvimento e aprendizagem, organizar o currículo, articulando a realidade cotidiana das crianças e o contexto social mais amplo, observando os princípios básicos:

I – princípios Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades;

II – princípios Políticos: dos direitos e deveres de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática;

III – princípios Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e liberdade de expressão, nas diferentes manifestações artísticas e culturais.”

 

Tendo o entendimento de que a Educação Infantil tem como finalidade o pleno desenvolvimento da criança de até cinco anos e onze meses, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, em parceria com a família e a comunidade, o Curso de Capacitação do Colégio Kennedy tem a concepção de que o trabalho desenvolvido com as crianças da Educação Infantil possui uma função social, política e pedagógica comprometida com a democracia, a cidadania e a dignidade da criança como sujeito de direitos e livre de qualquer preconceito.

Na Educação Infantil toda ação pedagógica é intencional e planejada, na perspectiva de educar cuidando, considera as vivências socioculturais das crianças e compreende o desenvolvimento infantil com suas necessidades básicas como objeto da ação pedagógica, tendo como eixo central as interações e a brincadeira.

 

No que se refere à Proposta Pedagógica, segue–se o que prevê o Art.4° da Resolução CNE/CEB n° 5 /2009:

“Art. 4° As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivência, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.”

 

A Proposta pedagógica da Educação Infantil deve abranger os aspectos que envolvem a organização da ação educativa, assim como as práticas específicas que se referem ao desenvolvimento infantil das crianças, sempre considerando a ludicidade, a estética, a ética, as relações, desejos, vivências, experiências e saberes. Deve também prever a articulação entre os conhecimentos, aprendizagens de diferentes linguagens e naturezas e aspectos da vida cidadã.

Outros aspectos importantes de serem abordados na proposta pedagógica se referem à interação entre os grupos de crianças, adultos e o ambiente e o acolhimento, o respeito e o trabalho com as diferenças culturais, de gênero, étnico-raciais e religiosas, no processo de constituição e construção da identidade de todos os sujeitos envolvidos na ação educativa, prevendo a inclusão e como se dá o trabalho com as crianças público-alvo da Educação Especial.

A proposta pedagógica da Educação Infantil deve garantir o acolhimento e o trabalho com as diferentes situações socioeconômicas, especificidades da faixa etária e de cada criança, visando ao seu desenvolvimento integral, por isso é importante a participação das famílias e da comunidade na sua elaboração e implementação.

O papel dos profissionais da Educação Infantil precisa estar bem especificado na proposta Pedagógica, para que suas ações pedagógicas privilegiem o educar cuidando, respeitando as diferentes manifestações culturais, respeitando as diversas linguagens e expressões.

Pensando no século XXI e na rapidez com que as mudanças ocorrem no mundo, decorrentes da globalização e dos avanços científicos e tecnológicos, como também, na sustentabilidade do planeta que habitamos, percebemos que nos cabe à missão de educar nossas crianças para que sejam empreendedoras de suas próprias vidas e que tenham um olhar voltado para os valores éticos e morais nas relações familiares e na sociedade como cidadãos do mundo. Segundo os estudos de Vygotsky (1995) sobre aprendizado, este decorre da compreensão do homem como um ser que se forma em contato com a sociedade, com o outro.

 

O desenvolvimento infantil é um processo dinâmico no qual a capacidade de aprender acontece a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio e da qualidade e significação das interações com o outro, por isso o currículo deve ser pensado conforme o Art 3° da Resolução CNE/CEB n° 5/2009, que diz:

“Art. 3º O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade.”

 

Como profissionais da educação temos a responsabilidade de proporcionar as nossas crianças meios para que desenvolvam suas competências e habilidades, nunca esquecendo a importância das emoções nesta construção. Conforme Wallon (1995), “… as emoções tem papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que a criança exterioriza seus desejos e suas vontades.”(LA TAILLE,1992)

 

Agregado ao ato de brincar, a Proposta Curricular da Educação Infantil deve oportunizar à criança vivências significativas e prazerosas a partir de projetos pedagógicos embasados nos Parâmetros Curriculares  Nacionais para a Educação Infantil (PCNs) e conforme prevê o Art.17 da Resolução CME/POA n° 15/2014, que prevê:

“Art. 17- A proposta curricular para a Educação Infantil deve garantir experiências que:

I – promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;

II – favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;

III – possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, assim como o convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

IV – recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço-temporais;

V – ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e coletivas;

VI – possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar;

VII – possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais que alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e reconhecimento da diversidade;

VIII – incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza;

IX – promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura;

X – promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais;

XI – propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e tradições culturais brasileiras;

XII -possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas e outros recursos tecnológicos e midiáticos.”

 

Enfim é necessário contemplar a criança como um indivíduo criativo que responde aos estímulos do meio de acordo com suas características individuais, no seu tempo e momento. Conforme Piaget (1975), a criança só aprende aquilo que tem condições de absorver. Só apresenta condições após fazer suas próprias descobertas e, imprimir a sua marca pessoal a cada criação e recriação.

A criança nasce em situação de total dependência e, pouco a pouco, torna-se autônoma. Para que haja um atendimento adequado e eficiente nesta fase inicial, é essencial ofere­cer possibilidades para que, paulatinamente, ela faça suas escolhas.

Os três primeiros anos de vida – período sensório motor – são caracterizados pela inteligência prática. Para a criança, sua visão de mundo é algo a se experimentar, conhecer, por meio dos ór­gãos dos sentidos e das ações corporais. Suas ações são: olhar, agarrar, ouvir, alcançar com a boca ou sentir com a pele. Necessita da presença de objetos concretos.

O movimento é a linguagem que ela usa para se expressar. Ao entrar na escola, seu pen­samento é simultâneo ao movimento. Cabe à escola incentivar os movimentos, tornando maior o aprendizado da criança sobre si mesma e sobre os outros, havendo, assim, interação com o mundo que a rodeia. Ao movimentar-se, também expressa emoções, sentimentos e pensamentos, amplian­do, dessa forma, seu repertório corporal.

 

“A linguagem corporal, baseada na expressividade corporal da criança, é mais que um sim­ples movimento, deslocamento do corpo no espaço: constitui-se de uma linguagem que permite às crianças atuarem sobre o meio físico e sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo.” Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil.

 

Cada criança possui características próprias, com significados que são constituídos aos pou­cos, de acordo com as necessidades, os interesses e as possibilidades corporais. Por meio da dança, dos jogos, das brincadeiras e das práticas esportivas, ela tem oportunidade de se expressar com gestos e posturas, já com alguma intenção. A escola pode oferecer um ambiente onde as crianças sintam-se protegidas e acolhidas, para se sentirem encorajadas a se arriscar e a vencer desafios. “Quanto mais rico e desafiador for esse ambiente, mais ele lhe possibilita a ampliação de conhe­cimentos acerca de si mesma, dos outros e do meio em que vivem.” Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil.

Na escola, as experiências serão vivenciadas a fim de que sejam internalizadas, assimiladas. A criança será desafiada a resolver situações-problema, a tomar decisões que são capacidades indispensáveis para seu desenvolvimento intelectual.

Para Piaget (1975), na Educação Infantil, o educador tem um papel importante, pois trabalha com crianças em processo inicial de desenvolvimento, em uma etapa básica da formação da per­sonalidade. Um profundo conhecedor das características das faixas etárias de zero a cinco anos, estando a par sobre o que a ciência tem descoberto; por exemplo, o estudo do cérebro. O cotidiano desse profissional pode ser transformado para que atenda a criança de forma dife­renciada e pertinente, envolvendo-a para que adquira conhecimentos e para que tenha uma visão ampliada do mundo em que vive.

O educador deve partir sempre do concreto para o abstrato, do perto para o distante, do simples para o complexo. As atividades planejadas e propostas terão alternância entre as mais calmas e as mais movimentadas. Ele deve aproveitar todas as ações do dia a dia que possam despertar o interesse das crianças, ato enriquecedor que muito ajudará no processo educativo. Estimulando a oportunidade, a descontração, a alegria, assim o educador poderá conhecer o ritmo de aprendizagem de cada criança, seu grau de atenção e motivação, sua maior ou menor facilidade em cada linguagem, etc. O desafio deve estar sempre presente nas propostas apresentadas pelo educador.

Uma reflexão importante é centrar a educação nas potencialidades da criança, e não em seus pontos fracos, lembrando que esses poderão ser superados.

As funções psicomotoras e cognitivas serão desenvolvidas de acordo com o interesse e as necessidades da criança. O desenvolvimento da autoimagem positiva vai influenciar a sua capaci­dade de aprender.

A estimulação verbal é muito importante, pois a fala é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de raciocinar. Sabemos que o repertório infantil, quando a criança entra para a escola, é restrito, principalmente na idade entre dois e três anos.

Essa restrição também é presente entre as crian­ças com mais de 5 anos, caso não tenham recebido estímulo em casa, no ambiente em que vivem. O educador, como mediador, proporá regras simples, mas afetivas, procu­rando sempre valorizar as normas sociais: a coopera­ção, o respeito aos outros e aos objetos, a persistência diante das dificuldades, a assiduidade, a pontualidade, a expressão de sentimentos e de ideias e, assim, a crian­ça sempre encontrará, na escola, ambiente propício para que se sinta segura e capaz de aprender.

O verdadeiro, o legítimo educador, é aquele que constantemente avalia e reavalia seu desem­penho, sem medo de reconhecer seus limites e suas falhas, podendo, assim, refletir sobre seu posicio­namento em relação às crianças, aos colegas de trabalho e à escola. Como qualquer pessoa, o edu­cador tem suas limitações. Reconhecendo suas próprias dificuldades sem procurar justificá-las, mas sim sabendo aceitar as suas limitações, as dos pais e as das crianças e dos seus colegas, procurará sempre aprimorar seus conhecimentos, acompanhando todo o processo que ocorrer na educação, para que possa desempenhar seu papel com segurança, perspicácia e maturidade.

Os conceitos e as opiniões, as teorias e as teses sobre o tema educação sempre mereceram apreciações, análises e atenção de ilustres estudiosos, respeitáveis autoridades, pensadores e educadores em sua grande maioria, ligados às áreas da sociologia, da psicologia e da pedagogia. Destacam-se os nomes de alguns deles, a partir do final do século XVIII , pinçando sempre um feito, um fato ou um destaque pertinente:

  • Jean-Jacques Rousseau (1712/1778). “… a verdadeira finalidade da educação é ensinar a criança a viver e a aprender a exercer a liberdade”; se o analisarmos sob o contexto de sua época, concordaremos que ele formulou, com raro brilho, princípios educacionais que permanecem até os nossos dias.
  • Johann Heirich Pestalozzi (1746/1827). Sempre acreditou no poder da educação para aperfeiçoar o indivíduo e a sociedade; na instituição com o seu nome condenava a coerção, as recompensas e as punições.
  • Friedrich Froebel (1782/1852). Considerava muito importantes o desenho e as atividades que envolviam movimento e ritmos e foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo e a atividade lúdica; inspirou-se no amor à criança e à natureza e criou, em 1837, o célebre Kindergarten (Jardim da Infância).
  • Ovide Decroly (1871/1932). Criador dos famosos centros de interesse, em que a criança passava por três momentos: o da observação, o da associação e o da expressão; em suas escolas, viam-se os alunos no campo, semeando conforme a estação do ano, e, sobre as mesas, legumes colhidos.
  • Lev Semenovich Vygotsky (1896/1934). Psicólogo bielo-russo. As proposições acerca do processo de formação de conceitos remetem à descrição das relações entre pensamento e linguagem, à questão da mediação cultural no processo da construção de significados por parte do indivíduo, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Suas concepções sobre o funcionamento do cérebro humano fundamentam-se em suas ideias de que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem.
  • Maria Montessori (1870/1952). Médica, italiana, criou as Casas das crianças, que não visa­vam somente à instrução, mas eram locais de educação e de vida; a primeira Casa dei Bambini foi fundada em Roma. O principal sustentáculo do seu método são as atividades motoras e sensoriais.
  • Henri Wallon (1879-1962). Médico, filósofo e psicólogo; participante diretor da Escola nova teve sua atenção voltada para a criança. Enfocou o desenvolvimento infantil em seus domínios afetivo, cognitivo e motor. Sua proposta, o desenvolvimento infantil tomado, pela própria criança, como ponto de partida, busca compreender cada uma das manifestações no conjunto as possi­bilidades, sem a consulta da censura prévia adulta. dialoga com outras teorias, encontrando complementaridade tanto na psicanálise quanto na teoria de Piaget. Wallon não propõe um sistema no qual se dispõem, de forma bem arrumada, etapas e processos da evolução psíquica. Ao contrário, para tratar o processo de desenvolvimento sob uma perspectiva abrangente, realiza um verdadeiro vaievem de um campo a outro da atividade infantil e entre as várias etapas que compõem o desenvolvimento. Para Wallon, Decroly foi um dos expoentes da escola nova e o que mais lhe agradava.
  • Alexander Luria (1902/1977). Psicólogo, médico, russo, desenvolveu o processo psicodiagnóstico como “método combinado motor” para diagnosticar processos de pensamento. Em 1924, reunido com Vygotsky, cuja influência foi decisiva para moldar o seu futuro profissional, procurou estabelecer uma abordagem da psicologia que permitiu “descobrir a forma como os processos naturais, como a matu­ração física e sensorial entrelaçada a mecanismos, para produzir as funções psicológicas de adultos.” Deu ênfase especial ao papel da linguagem, “ferramenta das ferramentas”, para tornar especificamente humanos formas de pensamento, sentimento e ação.
  • Célestin Freinet (1896/1966). Sendo professor primário, foi também um marco na história da pedagogia, pois partiu dessa base e impulsionou um movimento de renovação; deu ênfase à ação educativa, possibilitada por meio das aulas-passeio. Para ele, o processo do desenvolvimento humano assemelha-se a um pêndulo, continuando até a vida adulta. Estudando Piaget, deu o seu aval para que a obra dele continuasse viva.
  • Jean Piaget (1896/1980). Impossível que ele não venha a receber destaque quando se trata de psicologia moderna; foi um estimulador da Educação Infantil pela sua teoria psicogenética, que reco­nhece que o processo de desenvolvimento pressupõe uma sucessão de etapas.
  • Brunner (1915). Psicólogo inglês, com sua teoria da aprendizagem, com o reconhecimento do valor da ciência com uma forma sofisticada do conhecimento humano e o relevo que o ensino das ma­térias científicas devem ter no currículo escolar. O ponto central é a importância concedida ao método da descoberta que deveria ser aplicado em todas as escolas.
  • Howard Gardner (1943). Psicólogo cognitivo e educacional americano, nascido em Scranton, Pensilvânia, é conhecido pela Teoria das Inteligências múltiplas em muitos países, a qual proporciona apoio para um fato que a maioria dos educadores (e a maioria dos pais) sabe: as crianças têm mentes muito diferentes umas das outras, possuem forças e fraquezas diferentes e é um erro pensar que existe uma única inteligência, em termos da qual todas as crianças podem ser comparadas. Como essa te­oria é recente, os educadores precisam trabalhar de modo perseverante por alguns anos para dominar as ideias e colocá-las em prática, sempre refletindo sobre aquilo que está funcionando bem e aquilo que não está. O maior desafio, no dizer de H. Gardner, é conhecer cada criança como ela realmente é, saber o que ela é capaz de fazer e centrar a educação nas capacidades, forças e interesses dessa criança. O educador é um antropólogo, que observa a criança cuidadosamente, e um orientador, que a ajuda a atingir os objetivos que a escola — ou o distrito ou a nação — estabeleceu.
  • Regina Leite Garcia (1993). Quanto mais a Educação Infantil abrir para a criança a possibilidade de acesso a diferentes linguagens, que estão postas no mundo, mais o seu universo cultural se ampliará; quanto maior for o seu entendimento do real, menos avançada ficará para a possibilidade do novo.

Nathalie de Salzmann de Etievan (1996). Educada na Suíça e na França, viveu no Rio de Janeiro e radicou-se na Venezuela. Foi jornalista, tradutora, piloto, pintora, sobretudo educadora. Fundou vários colégios na Venezuela, na Colômbia, no Peru e no Chile. Para ela, a criança, para que seja equilibrada e harmoniosa, precisa de muito amor, muito afeto e também, como prova desse amor, firmeza e seve­ridade, se for necessário. Consequentemente, as crianças pequenas devem receber muita firmeza, mas também muito afeto. A exigência, a firmeza, o castigo dados com amor não frustram a criança. Por trás da palavra frustração, esconde-se nosso comodismo: deixar a criança fazer sempre o que quer fazer. Em certas oportunidades, temos de castigar, fazer de conta que estamos bravos ou tristes, não dentro de nós mesmos, mas exteriormente, porque a criança precisa que lhe indiquemos, às vezes com rigor, que não queremos que faça algo. Com a exigência, a criança adquire sua consciência, porque distinguir o bem e o mal não é inato. Educar a sua consciência é formar nela a capacidade de discernir entre o bem e o mal.

  • Emília Ferreiro (1937). Psicóloga e pesquisadora argentina, — fez doutorado sob a orientação de Jean Piaget, está viva e continua seu trabalho. Em 2001, recebeu do governo brasileiro a Ordem Nacio­nal do Mérito Educativo. Ela não criou um método de alfabetização, mas sim procurou observar como se realiza, na criança a construção da linguagem escrita. Muito antes de iniciar o processo formal de aprendizagem de leitura/escrita, as crianças constroem hipóteses sobre esse objeto do conhecimento. Até chegar à leitura e à escrita, a criança tem à sua frente uma longa estrada a percorrer. O seu processo de construção da escrita se dá em quatro fases (psicogênese da escrita), cada uma delas com carac­terísticas próprias, que são percorridas por todas as crianças, no decorrer do processo de aprendizagem. Sem dúvida alguma, é uma pesquisadora que deixou sua marca. Atualmente, com todo atendimento que recebe, a criança inicia precocemente o processo de aprendizagem, e os educadores poderão observar as fases que as crianças percorrem bem antes dos seis anos, independentemente do meio em que vivem.

           FONTE: Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas/SP